"A aprendizagem pré-escolar é um dos mais importantes elementos de superação de desigualdades de origem social" - declarou esta semana um conhecido político, ultimamente muito em voga.
Dito assim até parece inócuo, não fosse a ideologia e o objectivo político que lhe está subjacente. É que foi anunciado recentemente (e fizemos referência a isso neste blogue) a obrigatoriedade da chamada educação pré-escolar. Foi anunciado como se de um progresso, como se de uma coisa boa se tratasse, o retirar compulsivo das crianças do seio familiar em tenra idade.
Quando a verdade é que nada substitui a família naquilo a que se chama pomposamente o processo de sociabilização das crianças. As ciências da educação têm vindo a produzir cientistas da educação em quantidades industriais. Cada um deles avança com tratados, análises, artigos especializados, propostas cada vez mais abstractas e distantes da realidade. Esgotado o ensino obrigatório como campo de experiências para todas as bizarrias que os ditos cientistas têm inventado, eis que se desenha o ataque à infância. Com carácter compulsivo.
Brincar, abrir as asas da imaginação, aprender pela experiência, começar a conhecer o mundo pelos sentidos, é actividade que o Estado se prepara para balizar, regulamentar e policiar.
É mais cómodo, o Estado oferecer armazém para as crianças, do que abrir espaço para que se questione porque é que os dois membros do casal são explorados pelo preço de um.
Porque as "desigualdades de origem social" não se resolvem expondo precocemente as crianças ao ambiente da escola massificada. Resolvem-se na origem, providenciando salários justos aos pais, assistência médica, habitação digna, tempo para a família, urbanismo humano, segurança nas ruas, seriedade em todas as instituições públicas, castigo para quem abusa do trabalho alheio.
Quando a Política passar a ser um sacerdócio de serviço ao próximo, e não o campo de batalha dos interesses pessoais, do egoísmo e do orgulho, não será difícil.


1 comentários:
12.3.09
Completamente de acordo!
O combate às "desigualdades sociais" passa por um novo paradigma de sociedade, pela mudança das mentalidades e pelo crescimento individual nas diversas áreas concernentes ao Ser Humano.
Um abraço
Joana
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