Spiga

Preconceitos limitam

Quando tinha 16 / 17 anos e andava na escola secundária, tive uma experiência muito interessante numa aula de física.

A escola convidou um professor universitário para nos ministrar uma aula.

Infelizmente não me recordo do nome do professor, mas não mais esqueci o impacto que teve no meu ser quando percebi que a pessoa que estava à nossa frente era também um padre.

Fiquei fascinado, pois para mim eram duas áreas de conhecimento distintas e pensava eu incompatíveis!

Depois de uma aula (palestra) muito interessante, colocou-se à disposição para qualquer questão sobre física.

Ora, eu sempre gostei de ler obras de ficção cientifica de qualidade (que não incluam monstros, histórias completamente tolas, etc.) e naquele momento lembrei-me de uma série de televisão (Star Trek) onde aparecia com alguma frequência o teletransporte.

Ganhei coragem, coloquei o braço no ar e depois da devida autorização, questionei-o sobre se seria possível no futuro o teletransporte tornar-se uma realidade.

O professor começou por explicar-me que o conceito de teletransporte da ficção cientifica seria muito difícil de concretizar, mas ainda assim, no seu entender e imaginando a evolução dos conhecimentos científicos, talvez num futuro muito distante se consegui-se desmaterializar um objecto aqui e materializá-lo num outro local, mas sempre objectos e nunca seres humanos.

No meu atrevimento de adolescente disparei imediatamente um "porque não seres humanos?"... e como resposta tive a seguinte pergunta:

"Então e a tua alma? Se fosse possível eu desmaterializar-te aqui e tornar a materializar-te num outro local, como resolveria eu o problema da tua alma?"

Na minha imaturidade própria de adolescente, fiquei desiludido com o professor, afinal ele não me estava a responder como homem de ciência mas sim como padre!

Foi preciso passar bastantes anos para me aperceber que a resposta foi pertinente, que contém um problema filosófico muito interessante, mas sobretudo, foi preciso mais maturidade da minha parte para entender que os meus preconceitos na época não me permitiram acompanhar o ponto de vista daquele professor de física que era ao mesmo tempo um padre.

Um preconceito limita, reparem, para mim um padre não podia ser cientista e após aquela resposta, arrumei imediatamente aquele professor numa gaveta com o rotulo "desinteressante e limitado pela religião"...

Ou seja, se deixamos os nossos preconceitos tomarem conta das situações sem mente aberta e espírito crítico, muitas áreas de conhecimento e opiniões válidas vão passar-nos ao lado.

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3 comentários:

Catsone

7.3.09

Dois problemas complicados: religião e física...

Ursinho de peluche

4.6.10

"Então e a tua alma? Se fosse possível eu desmaterializar-te aqui e tornar a materializar-te num outro local, como resolveria eu o problema da tua alma?" Penso que não tem qualquer sentido. Pois a alma não existe.

André

4.6.10

Aí é que o Ursinho de Peluche se engana.

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