Jesus de Nazaré, aos 30 anos de idade, iniciou a sua missão de divulgar uma Boa Nova, que pode ser resumida no seu ensinamento maior: "Amar a Deus de todo o coração, e ao próximo como a nós mesmos".
Nós, espíritas, entendemos que qualquer pessoa que ponha e prática esse princípio pode ser considerada um cristão, mesmo que não o saiba.
Os cristãos dos três primeiros séculos, até o Cristianismo se ter tornado religião - e religião oficial do Império Romano - reuniam-se para praticar e estudar a mensagem cristã, e não para fazer rituais, erguer altares, administrar sacramentos ou empossar quaisquer líderes ou sacerdotes. Por diversas vezes temos referido este aspecto, e a simples leitura dos Actos dos Apóstolos pode confirmá-lo.
Há quem ache que as Igrejas organizadas e hierarquizadas que apareceram a partir do século III são uma evolução no Cristianismo. Na nossa óptica não é assim. Foram um recuo evolutivo, uma cedência aos hábitos pagãos politeístas das religiões mágicas. O exterior sobrepujou o interior. A letra que mata substituiu o espírito que vivifica. A primitiva ekklesia (assembleia dos que se juntam para orar, do Grego) deu lugar a Igrejas institucionais mais viradas para a Política do que para a Espiritualidade.
Em Itália, o Estado Papal chegou a ter vastos territórios e exércitos envolvidos em guerras e em conquistas, como podemos constar num breve exame da História da Itália.E episódios tão lamentáveis como a Inquisição, tiveram muitas vezes por detrás a ânsia da posse dos bens dos condenados.
Seria isso que Jesus de Nazaré pretendia? Visava ele o estabelecimento de um poder terreno? Estaria ele interessado em fundar organizações ricas e poderosas?
Não nos interpretem mal. Não pretendemos ser "proprietários" da mensagem cristã. Esta é a visão espírita: dar de graça o que de graça se recebeu. Espiritualidade e negócio não combinam. Jesus e os Apóstolos tinham os seus ofícios, e, quando viajavam, contavam com a hospitalidade alheia e pagavam-na, trabalhando com os anfitriões.
Não faz sentido, para nós, que alguém, por ser pobre, possa ficar privado de bens espirituais. Não faz sentido que alguém que professe uma dada religião tenha que pagar para ser baptizado, ou pelo enterro de um familiar ou por uma cerimónia em sua homenagem. E que alguém, por falta de dinheiro, tenha que estender a mão à caridade para pagar por esses bens, ou fique privado deles por não os poder pagar.
Na imagem: mosteiro em Meteora, Grécia.


3 comentários:
31.12.09
Manso e humilde de coração...
assim foi esse grandioso post.
Jesus de Nazaré, um ser tão incrivel e imensurávelmente poderoso, e ao mesmo tempo inofencível. Apenas quis trazer reino de Deus para os que o buscavam aqui na terra.
Um ser que deixou em suas próprias palavras a liberdade de vermos nele o que podemos compreender:
"E quem dizem que sou?"
Perguntava Jesus a Simão Pedro.
Bravo!
31.12.09
Manso e humilde de coração...
assim foi esse grandioso post.
Jesus de Nazaré, um ser tão incrivel e imensurávelmente poderoso, e ao mesmo tempo inofencível. Apenas quis trazer reino de Deus para os que o buscavam aqui na terra.
Um ser que deixou em suas próprias palavras a liberdade de vermos nele o que podemos compreender:
"E quem dizem que sou?"
Perguntava Jesus a Simão Pedro.
Bravo!
1.1.10
Obrigado pelas suas palavras, caro amigo.
AA
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