Quando recebi a informação do artigo da revista Happy Woman intitulado "A Viagem - à descoberta do mundo dos espíritos", o meu primeiro problema foi encontrar um exemplar da revista. No primeiro ponto de venda a que me dirigi, o problema começou por ser de comunicação:
- Tem a revista Happy Woman? - perguntei.
A rapariga não me entendeu, apesar de ser portuguesa. Foi buscar uma colega, e esta foi ainda buscar uma outra. A terceira era mais perspicaz e descobriu que eu queria, afinal a "ÊIPI". Olharam para mim com uma certa compaixão, por via da minha ignorância, que nem sequer sei falar estrangeiro em condições, e comunicaram-me que as "ÊIPIS" estavam esgotadas.
A cena repetiu-se nas lojas seguintes. Como não me consegui convencer a pedir a "ÊIPI", lá tive direito a mais alguns olhares de compaixão, e à conformação de que este número teve muita saída e esgotou-se. Porque será? Será da chamada de capa, bem do lado direito e em cima (lugar privilegiado de qualquer capa) que anuncia: "ESPÍRITOS - FOMOS FALAR COM ELES"?
É de realçar que a chamada de capa "CUECAS VIBRATÓRIAS - A ÚLTIMA NOVIDADE DAS SEX-SHOPS", embora esteja em cima, aparece do lado esquerdo, pelo que os Espíritos devem estar a ultrapassar o sexo em popularidade: um feito e pêras!
Numa última tentativa, dirigi-me a uma grande superfície, e lá estavam, rutilantes, as Happy Woman, um pouco por todo o lado, em grandes maços, nas prateleiras, nos escaparates da cafetaria, nas caixas. Dirigi-me discretamente ao escaparate e aguardei ordeiramente que os habituais grupos de senhoras doutoradas em Vida Alheia comentassem tudo o que era revista cor-de-rosa. É impressionante como de Norte a Sul, do Litoral ao Interior, estes grupos de senhoras se exprimem com o mesmo desdém acerca das figuras públicas em função das quais vivem. Compram as revistas de mexericos mas não é para se informarem do último namorado da Cinha, da última plástica da Elsa ou da última zanga do Artur com a Lisa. É para desdenharem da qualidade da informação fornecida, pois, segundo elas, nunca foi bem assim e a informação está sempre ultrapassada.
Por fim lá consegui deitar a mão à Happy Woman. Uf!


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