Spiga

"ÊIPI" - Concluindo



Alexandra declara que bateu a muitas portas e todas se fecharam. "Isso é coisa muito séria, não se meta por aí" - disseram-lhe.


Seria útil e esclarecedor saber quem, como e porque lhe disseram isso. Se foram associações espíritas que lho disseram, compreende-se que a resposta a um pedido de comunicação com um familiar tenha sido negativa. Mas é preciso saber porquê!

Se assim foi, não foi por falta de boa vontade, mas por seriedade. É que ninguém pode prometer comunicações com os Espíritos! Eu posso ser médium ostensivo, posso ter uma mediunidade apuradíssima, mas, em nome da honestidade e da ética, não posso prometer a ninguém que o ponho em contacto com alguém do outro lado.

Porque a pessoa em questão pode não querer ou não poder comunicar-se.

Porque no Espiritismo não se chamam os Espíritos, da mesma forma que uma pessoa educada não telefona para casa de quem não conhece, sem ter um motivo forte.


Porque no Espiritismo a mediunidade é exercida com disciplina e respeito. As reuniões mediúnicas, no Espiritismo, são ocasiões em que, num ambiente devidamente preparado e controlado, comparável ao das intervenções cirúrgicas num hospital, se dá possibilidade de comunicação aos Espíritos que possam e queiram comunicar-se.

Sempre, e exclusivamente, para fins de auxílio ao próximo, instrução moral para difundir posteriormente, e investigação científica/fenomenológica.

Se a jornalista por acaso se apresentou num centro espírita e disse "quero falar com a minha avó", é natural que lhe tenham dito que no Espiritismo as coisas não se processam assim, de ânimo leve. O centro espírita não é um telefone para o Além.

Não faltam pessoas nos centros espíritas que vêm à procura dessa chamada telefónica para o Além. "Eu quero falar com a minha avó, com a minha Mulher, como meu irmão! Eu pago!" - dizem.

Pelas razões expostas, os centros espíritas não respondem "Sim senhor, vamos a isso".

O que eventualmente se pode fazer - algumas associações espíritas fazem-no, e é caridoso - é dedicar espaços de actividade mediúnica à recepção de mensagens de Espíritos que possam e queiram comunicar-se. Sempre sem compromissos. Promessas, jamais. Estas reservas exasperam os impacientes, mas terão de convir que os espíritas estão no seu direito.

Se as comunicações aparecem, são divulgadas junto dos familiares, naturalmente. Curiosamente, a maioria dos médius e outros trabalhadores espíritas que conheço, recebeu pouquíssimas vezes ou nenhumas, mensagens dos seus entes queridos desencarnados (falecidos). O que mostra que não há qualquer "fazer caixinha", ou tratar os "de fora" pior que os "da casa".


Cara Alexandra Pais,


Não leve a mal esta nossa dissertação. Errar é humano, e o seu trabalho teve este preclaço, mas ninguém lhe retira o seu valor profissional e humano. Convidamo-la a fazer uma reportagem efectivamente acerca de Espiritismo, ou, pelo menos, a rectificar esta.

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