Quando me convidaram para fazer uma palestra espírita não sabia o que me esperava. Ver as pessoas a chegar, a sala a encher, o nervosismo a aumentar. Confesso que as pernas me tremeram. Outras palestras se seguiram. O nervosismo foi diminuindo, a confiança aumentando, e o exemplo dos primeiros cristãos, que se juntavam para conversar e aprender em comum, como podemos ler nos Actos dos Apóstolos, tem sido uma preciosa inspiração. “A boca fala do que está cheio o coração”, e ainda que não sejamos donos de elevados dotes oratórios, o que mais conta é a sinceridade e o desejo de cumprir a nossa tarefa. Um orador espírita é um elemento do grupo que se junta para uma palestra. Preparou o seu trabalho, cabe-lhe fazer o seu melhor, com serenidade e confiança – assim ouvi dizer a um companheiro mais experiente.Aceitei entretanto o convite para fazer uma palestra num centro espírita distante do que frequento. A amizade por quem me convidou falou mais alto que a natural apreensão, e lá fui. Os meus amigos espíritas do Norte receberam-me com muito carinho e aquilo que, segundo os hábitos locais é “comer uma coisita leve”, mas que na realidade é um banquete, nunca se fiem nessa gente!
A família dos meus anfitriões, nada familiarizada com o Espiritismo, resolveu ir assistir, pela primeira vez, a uma palestra espírita. Calhou bem, pois o tema era a Revelação: Moisés e a ideia de um Deus único; Jesus e a noção do amor ao próximo e da vida futura; e o Espiritismo, com a sua visão da imortalidade da alma e da importância da verdadeira fraternidade que deve unir toda a Humanidade.
Falei com gosto, o melhor que sei e posso, e felizmente ninguém adormeceu. Nem a pequena Amandine, sobrinha da minha anfitriã, uma luso-francesinha de cinco anos, que, muito direitinha na cadeira, com os seus lindos olhos pretos muito abertos, tomava muita atenção. Estava á espera que ela se cansasse e fosse brincar, mas não arredou pé! Foi uma bela reunião espírita, numa ampla dependência de uma fábrica, a sala de conferências mais sublime que Deus me deu a graça de pisar. Houve diálogo, convívio simples e alegre.
Os familiares da minha anfitriã gostaram do tema – que bom! Mas a pequenita teve acanhamento de fazer duas perguntas. Já em casa, encorajada pala tia, perguntou-me então, com o seu sotaque tão engraçado: “Como é que os Espíritos se vestem?” e “Como é que os Espíritos escrevem?”. É claro que fiquei encantado com a sagacidade daqueles dez réis de gente… Mas também um bocadinho atrapalhado! Ora vejamos:
O Livro dos Médiuns, Capítulo VIII, Do Laboratório do Mundo Invisível, Vestuário dos Espíritos – recapitulei mentalmente - e lá expliquei o melhor que pude “como é que os Espíritos se vestem”…
A mesma coisa para “como é que os Espíritos escrevem”: O Livro dos Médiuns, Capítulo XIII, Da Psicografia. Com a ajuda dos Bons Espíritos lá consegui explicar.
Foi o momento alto da minha viagem, mas… que responsabilidade!
E lá foi ela, com as suas perguntas respondidas….
Se educamos as nossas crianças na Fé, que seja uma fé raciocinada, assente em factos, e que todos – até as crianças – possam questionar. Essa é a fé que fortalece e se fortalece. Não é a fé do “porque sim” e “porque não”. Espiritismo, doutrina de bom-senso.
Roberto António
A mesma coisa para “como é que os Espíritos escrevem”: O Livro dos Médiuns, Capítulo XIII, Da Psicografia. Com a ajuda dos Bons Espíritos lá consegui explicar.
Foi o momento alto da minha viagem, mas… que responsabilidade!
E lá foi ela, com as suas perguntas respondidas….
Se educamos as nossas crianças na Fé, que seja uma fé raciocinada, assente em factos, e que todos – até as crianças – possam questionar. Essa é a fé que fortalece e se fortalece. Não é a fé do “porque sim” e “porque não”. Espiritismo, doutrina de bom-senso.
Roberto António
Publicado originalmente no Jornal Espiritismo, da ADEP.

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