
A Magia, como vimos nas duas entradas anteriores dedicadas a este tema, não acabou quando as religiões monoteístas se impuseram. Nos tempos Antigos, as pessoas tinham consciência de que, fazendo determinados rituais ou oferendas, procuravam agradar aos "deuses". O culto aos deuses desapareceu, substituído pelo culto do Deus Único, mas os pequenos gestos ficaram, e ainda subsistem no nosso quotidiano. Nos tempos Antigos, por exemplo, fazia-se oferendas de bebidas aos deuses. Actualmente não é raro encontrarmos quem despeje um pouco da sua bebida no chão, a pretexto de estar a dar de beber "ao santo". O jornalista brasileiro Duda Guenes, nas suas inesquecíveis crónicas no jornal português "A Bola", contava que, cansado de limpar o chão, o dono de um bar afixou um letreiro que dizia "Informa-se os Estimados Clientes de que o Santo Desta Casa é Abstémio"...
Não será difícil encontramos práticas quotidianas que se enquadram no campo da Magia, embora nem sempre saibamos descortinar as suas origens. O uso de talismãs, por exemplo. Patas de coelho, trevos, ferraduras, cabeças de víbora, continuam a ser usados com toda a naturalidade por religiosos e ateus, porque "dão sorte".
Também há objectos, gestos e seres que "dão azar", como sabemos. Passar por debaixo de uma escada, supostamente tem má fama porque foi visto como um simbólico "cortar" o triângulo que a escada faz com o chão e a parede. E o triângulo é, em muitas religiões antigas, símbolo de uma divindade trinitária.
Os pobres gatos pretos, os sapos, as corujas, adquiriram a sua má fama na Idade Média, quando se acreditava que possuíam "poderes diabólicos". Continuam a ser, infelizmente, alvo de estúpidas perseguições, porque... "dão azar"!
Há muitas crendices que de que é possível seguir o rasto, e que têm explicações engraçadas. Abrir um chapéu de chuva dentro de casa também é visto como portador de maus augúrios. A tradição terá origem na época em que os guarda-chuvas eram exclusivo das classes sociais abastadas, e seria impensável algum pobretanas possuir um, quanto mais abri-lo dentro de casa.
Entornar sal era uma grande contrariedade na época em que essa superstição teve origem. É que os legionários romanos eram pagos em sal (daí a palavra "salário"), e deixar cair sal era deixar cair dinheiro!
Partir espelhos também era muito aborrecido, sobretudo quando estes eram muito caros.
E o número 13, segundo os estudiosos destas coisas, é mal visto nos países católicos por ser o número de convivas à mesa na última ceia de Jesus de Nazaré. A crucificação deu-se a uma sexta-feira, por isso, quando o dia 13 calha à sexta-feira, há muito boa gente de Credo na boca. E o mais interessante é que muito poucos sabem porquê...
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