Ontem fui mudar pneus ao carro. Enquanto aguardava a minha vez aproveitei para ir pondo leituras em dia, mas não pude deixar de reparar no cuidado extremo com que os clientes da oficina avaliavam as virtudes e defeitos das diversas marcas e modelos de pneus e jantes, bem como os aspectos estéticos. Nada a objectar, pois os pneus são importantíssimos para a segurança na estrada.
O que achei curioso foi que, enquanto avaliavam judiciosamente os componentes do automóvel, os meus companheiros de circunstância iam deitando abaixo una quantos cigarros, devidamente acompanhados por uns quantos cafés, e devidamente complementados por um conhaquezinho, oferta da casa... Não é que eu seja um exemplo de saúde, mas não deixei de achar curioso que todos aqueles cidadãos que só querem o melhor para os seus veículos, consumam café e tabaco em quantidades proibitivas, que possivelmente se atirem ao álcool com o mesmo entusiasmo, bem como às comezainas em excesso, agravadas pela falta de exercício que as generosas barriguitas deixavam entrever. E eu também não me posso gabar nesse capítulo (ai, ai...).
Os carros, que têm uma vida limitada e acabarão dentro de uns anos na estação de reciclagem, merecem-nos muito mais cuidado que os nossos corpos, que têm que nos acompanhar toda a vida. Com mais facilidade esquecemos uma consulta no médico que uma ida à oficina. É bem certo!
Mas então o que dizer da nossa alma imortal, que nos merece ainda menos cuidados? É que não nos esquecemos dos cuidados básicos com o corpo. Não nos esquecemos de tomar banho, pentear os cabelos, vestir roupa limpa - e muito bem! Mas o cuidado com a saúde do Espírito - a oração, o estudo, o exame da nossa conduta, o esforço de aprimoramento moral, a prática da caridade - esse fica tão esquecido...


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