Eu sou bright.
Não; não estou a gabar-me de ser "brilhante", que é o significado da palavra "bright". Acontece que a minha visão do mundo faz de mim, certamente um potencial membro do Movimento Bright. Consultemos a Wikipédia:
"O movimento bright foi iniciado por Paul Geisert e Mynga Futrell em 2003 com o intuito de oferecer um termo que tivesse conotação positiva ao descrever os vários tipos de pessoas que têm uma visão de mundo naturalista, ao mesmo tempo evitando conotações negativas ou anti-religiosas (como as têm os termos ateísta, infiel ou descrente). Decidiram-se por usar o adjectivo inglês bright como um substantivo, dando-lhe um novo significado:
O bright é uma pessoa cuja visão do mundo é naturalista - livre de elementos místicos e sobrenaturais."
O bright é uma pessoa cuja visão do mundo é naturalista - livre de elementos místicos e sobrenaturais."
Isto descreve-me, sem dúvida:
Acredito que a Ciência é a ferramenta que permite ao ser humano desvendar as leis da Natureza. Não creio em nada que na minha opinião contrarie a Razão. Não acredito em milagres. Não acredito no Sobrenatural.
Acredito que TUDO é natural, e que nada se opera fora das leis da Natureza. Consequentemente, não acredito que uma ferradura dê sorte, nem acredito na sorte. Não acredito que um cálice de vinho se transforme num cálice de sangue, a não ser simbolicamente.
Mas acredito que existe vida inteligente fora do nosso planeta. Não tenho provas, mas não ofende a razão que assim seja, e faz até mais sentido que assim seja do que o que o contrário.
Mas acredito que a alma é imortal. Tenho fortes evidências na Ciência, na minha experiência pessoal, nas experiências de milhares de pessoas, e não ofende a Razão crer que há algo mais em mim que matéria grosseira. Algo que sobrevive à morte do corpo.
Mas acredito em Deus. Não por causa de supostos milagres, mas porque perante a vastidão e a complexidade do Universo, faz mais sentido para mim crer em Deus do que o contrário. E porque acredito (com fortes bases, a meu ver) na existência de vida inteligente fora da matéria. E porque me tocam testemunhos como o de Jesus de Nazaré, mensageiro do Deus Único, infinitamente Justo e Bom.
Mas suspeito que não me aceitariam como membro do movimento, que tem como figuras de proa nomes como Richard Dawkins, uma espécie de Frankenstein dos nossos dias, que se confessa excitado pela possibilidade de produzir um híbrido entre chimpanzé e ser humano!
Será ético? O cidadão assim obtido ficará isento de impostos, serviço militar obrigatório e recenseamento eleitoral? Será uma batata quente para os juristas, definir o estatuto do neo-australopiteco!
Mas porque considera Dawkins a ideia de produzir este ser? É porque está muito zangado com a religião, que considera "a raíz de todo o mal", e esta será mais uma maneira de a desafiar, para além dos seus livros, com títulos tão sugestivos como A Escalada do Monte Improvável (1997) , O Capelão do Diabo (ensaios seleccionados, 2003) ou Deus, um Delírio (2006) .
Dawkins elege a religião como alvo a abater, porque em boa verdade, grande parte das religiões e dos religiosos contestam teorias como o Evolucionismo, de Charles Darwin - que, se não está integralmente correcto, pelo menos apresenta evidências irrefutáveis.
Richard Dawkins considera inaceitável que se negue que o ser humano é parente dos outros primatas. Eu também! Dawkins acha inverosímil a ideia de que Deus criou o ser humano já "acabado". Eu também! Dawkins considera que a teoria católica da criação instantânea da alma é errada. Eu também! Dawkins considera que o que nos separa dos chimpanzés é apenas um gene. Eu não.
Eu considero que os seres evoluem corporalmente e espiritualmente. Os corpos dos chimpanzés são habitados por um princípio espiritual ainda não totalmente individualizado e dotado de livre-arbítrio. A diferença entre nós e os nossos parentes chimpanzés, é, portanto, para mim e para os espíritas em geral, mais que um gene. É uma diferença também de evolução espiritual.
Alfred Russel Wallace, contemporâneo e colega de Charles Darwin, naturalista, evolucionista, geógrafo, e antropólogo o co-fundador da teoria a selecção natural, já assim pensava. Tornou-se espírita.
Gabriel Delanne, cientista espírita autor de A Evolução Anímica, já escalpelizava o tema nessa obra datada de 1897.
Charles Richet, que nunca foi espírita, agraciado com o Nobel da Medicina em 1913, já estava a par disto mesmo.
Dawkins continua a debruçar-se apenas sobre a ortodoxia religiosa. E continua a primar por uma ordodoxia ateísta equivalente. Quem vai ficar prejudicado será o novo australopiteco, que se verá certamente no meio de batalhas judiciais sem fim!


1 comentários:
4.1.09
Sinceramente não sei em que planeta este Richard Dawkins, dito cientista vive.
Não precisamos ir muito longe para perceber que o problema do mundo não é a religião, mas sim o egoísmo e a intolerância que dai provém.
Em Africa há limpeza étnica sem necessáriamente serem de religiões diferentes.
Se nós seres humanos dizemos que alguns são menos seres humanos que outros, imaginem com um híbrido!
Isso é tempo perdido. E merece ser completamente ignorado.
Abraços
Rogers
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