Se há país em que o Jornalismo é elevado (e muito bem) da condição profissão à de missão, esse país é Portugal. Sem qualquer espécie de chauvinismo, teremos que admitir que temos muito bons jornalistas. Em Portugal os órgãos de Informação chamam-se Comunicação Social. Em Portugal quase todos os jornalistas são escritores, e muitos deles são escritores eméritos. Entre muitos exemplos, ocorre-me a escrita terna e profundamente humanista de Baptista-Bastos ou do falecido Carlos Pinhão, que nos deslumbram, esclarecem e nos tornam um pouco melhores.
Se somos um país de poetas, somos também um país de jornalistas. Temos especialistas, repórteres, "fazedores de opinião", nas mais diversas áreas: economia, cultura, desporto, política, religião, sociedade, ciência, ambiente, religião... E temos uma cultura de exigência e qualidade em relação ao Jornalismo.
Infelizmente também temos o contrário de tudo isto... Não faltam publicações, estações de rádio e televisão, que se deixam tentar pelo sensacionalismo, pela vulgaridade, pelo lugar-comum, e muitas vezes pela irresponsabilidade.
Periodicamente há órgãos de (des)informação que nos brindam com as mais aparatosas confusões, no que ao Espiritismo diz respeito. Quando não calúnias abertas. Mas se a opinião do espírita é vista como proselitismo (ver post anterior), a calúnia ao Espiritismo é vista como... opinião!
É mesmo assim, não exageramos. Se o jornalista Ferreira Fernandes do Diário de Notícias resolve dizer que o Espiritismo são bolas de cristal, consultas, pagamentos de serviços, o Professor Karamba, magias e rituais, e se os espíritas chamam a atenção e pedem a reposição da verdade dos FACTOS, logo é evocado o sacrossanto direito de opinião, como se pode ver aqui, e também aqui, na resposta do Provedor do Leitor do DN, no habitual tom de sarcasmo e desdém. É claro que se o DN (que já foi uma referência de jornalismo sério e independente, hoje um tanto beliscada por certo tipo de cedências à demagogia) responde assim, não esperamos que a Super Interessante responda desta vez com a reposição da verdade, para variar.
E a verdade é que os jornalistas não têm vagar para se documentarem minimamente quando escrevem acerca de Espiritismo. Ou, mais precisamente, acerca do que julgam ser Espiritismo.
Dá muito trabalho, é preciso ler, fazer uma pesquisa na Internet. E quem é que está para isso, quando já se sabe que "espiritismo é falar com os mortos"? Afinal de contas a Enciclopédia Católica e o Skeptical Inquirer até dizem isso mesmo!!!
E se essas duas instituições que combatem ferozmente o Espiritismo, dizem que assim é, para quê perguntar o que é Espiritismo a quem sabe realmente o que é Espiritismo - os próprios espíritas, as federações e associações de divulgadores dessa filosofia?
Não faltam também companheiros espíritas que acham que é caridoso ser-se caluniado e calar. Mas isso é assunto para outro post.


0 comentários:
Enviar um comentário