Giordano Bruno nasceu em 1548, em Roma. E hoje deve estar contente. Quase cinco séculos depois, a Humanidade parece já estar madura para entender a sua pequenez no meio de um Universo cuja complexidade e dimensões ultrapassam ainda a nossa compreensão.
Bruno foi obrigado a abandonar a sua condição de monge Dominicano, por ter duvidado do dogma católico da Santíssima Trindade. A ideia de Deus ter encarnado sobre o planeta Terra para salvar este pedaço ínfimo de Humanidade, chocava com a sua visão de um um Universo infinito, e habitado para além da Terra.
Bruno era cristão, mas não acreditava que Deus, Jesus e a misteriosa entidade chamada Espírito Santo, fossem um e o mesmo. Na realidade, esse "três em um" foi herdado da tradição popular das religiões orientais, como hoje sabemos. Bruno era um estudioso de tradições filosóficas nascidas no Egipto, e que remontariam, segundo alguns, à época de Moisés. O deus egípcio Thot simbolizava a lógica organizada do Universo. Na cultura grega o seu correspondente era Hermes, e daí a designação de Hermetismo para esta corrente filosófica, que, à semelhança de tantas outras, defendia a existência de um Deus Único, não antropomorfizado, da imortalidade da alma, da reencarnação e da pluralidade dos mundos habitados.
Retirando a capa alegórica, tão ao gosto das culturas orientais, estas ideias, que custariam a vida a Giordano Bruno, eram as mesmas que no século XIX o astrónomo francês Camille Flamarion, também defendia. Flamarion publicou a sua terceira obra, "Pluralidade dos Mundos Habitados", em 1862. Contava então 20 anos de idade.
Foi um entusiasta da divulgação científica, em particular da Astronomia. Entre muitas obras, o seu "Astronomia Popular", de 1880, obteve larga aceitação popular. Fundou o Observatório de Juvisy-sur-Orge, que apoiava os observadores amadores.
Flamarion tornou-se um espírita convicto, amigo pessoal da Allan Kardec, a quem chamava "o bem-senso encarnado". Fundou e presidiu à Sociedade Astronómica da França. Podemos compará-lo a Giordano Bruno, pela sua actividade intensa e sede de saber, e a Carl Sagan, pelos seus esforços de divulgação.
Também Flamarion deve estar contente, hoje, dia da abertura do Ano Internacional de Astronomia, em Paris.
Segundo notícia do jornal Público, Nuno Santos, astrofísico do Centro de Astrofísica da Universidade do Porto e co-autor da descoberta de vários planetas fora do nosso sistema solar, adivinha um prazo de cerca de cinco anos até à descoberta "de um planeta parecido com a Terra". A hipótese de vida extra-terrestre, cuidadosamente escondida das massas desde a Antiguidade, defendida por Bruno, Flamarion e Sagan, entre muitos outros, está cada vez mais próxima de ser confirmada. Nuno Santos declara que "não podemos ser os únicos em 100 milhões de estrelas".
Este é um dos pilares da filosofia espírita, a pluralidade dos mundos habitados. Longe de apoucar Deus, a ideia de um Universo habitado enaltece a grandeza da Criação. A Terra no Universo é menos que um grão de areia em todas as praias da Terra. Seria pretensioso crer-se que somos os únicos nesta vastidão.
O Espiritismo não é Ciência; é Filosofia. Mas segue atenta e interessadamente os progressos científicos. E tem como compromisso abandonar todo o princípio que a Ciência prove estar errado. Esperemos para ver...
Na imagem: ilustração da obra do astrónomo e espírita Camille Flamarion "L'atmosphère: météorologie populaire", de 1888.


3 comentários:
15.1.09
A doutrina da reencarnação é comum a vários sistemas religiosos, todos de fundo gnóstico. Ela provém de um erro a respeito do problema do mal e da justiça divina. Modernamente, a doutrina da reencarnação se tornou muito difundida pelo espiritismo.
Os reencarnacionistas defendem a tese de que cada pessoa teria várias vidas, e se reencarnaria para pagar os pecados de uma vida anterior. Desse modo, cada vida nos seria concedida para expiar erros, que não conhecemos, de uma vida que teríamos tido. Cada reencarnação seria um castigo pelos males que praticamos em vidas anteriores. Não haveria inferno. O castigo do homem seria viver neste mundo material, e não tornar-se puro espírito. Para os reencarnacionistas, "o inferno é aqui".
Eles recusam admitir que esta vida é única, e que, após a morte, somos julgados por Deus e premiados com o céu, ou punidos temporariamente no purgatório, ou condenados eternamente ao inferno. Exigem uma "nova oportunidade", enquanto recusam mudar de vida agora. A eles poderia ser aplicado o que diz um autor a respeito do tempo e do adiamento dos deveres: "Por que prometes fazer, num futuro que não tens, aquilo que recusas fazer no tempo que tens?". Assim também o que defende a teoria da reencarnação pretende melhorar nas futuras vidas – que imagina terá – o que se recusa a melhorar já, na vida que tem.
Para os hinduístas, a reencarnação poderia se dar pela transmigração do espírito até no corpo de um animal ou planta. Para os espíritas, a reencarnação se daria apenas em corpos humanos.
REFUTAÇÃO
1. Se a alma humana se reencarna para pagar os pecados cometidos numa vida anterior, deve-se considerar a vida como uma punição, e não um bem em si. Ora, se a vida fosse um castigo, ansiaríamos por deixá-la, visto que todo homem quer que seu castigo acabe logo. Ninguém quer ficar em castigo longamente. Entretanto, ninguém deseja, em sã consciência, deixar de viver. Logo, a vida não é um castigo. Pelo contrário, a vida humana é o maior bem natural que possuímos.
2. Se a alma se reencarna para pagar os pecados de uma vida anterior, dever-se-ia perguntar quando se iniciou esta série de reencarnações. Onde estava o homem quando pecou pela primeira vez? Tinha ele então corpo? Ou era puro espírito? Se tinha corpo, então já estava sendo castigado. Onde pecara antes? Só poderia ter pecado quando ainda era puro espírito. Como foi esse pecado? Era então o homem parte da divindade? Como poderia ter havido pecado em Deus? Se não era parte da divindade, o que era então o homem antes de ter corpo? Era anjo? Mas o anjo não é uma alma humana sem corpo. O anjo é um ser de natureza diversa da humana. Que era o espírito humano quando teria pecado essa primeira vez?
3. Se a reencarnação fosse verdadeira, com o passar dos séculos haveria necessariamente uma diminuição dos seres humanos, pois que, à medida que se aperfeiçoassem, deixariam de se reencarnar. No limite, a humanidade estaria caminhando para a extinção. Ora, tal não acontece. Pelo contrário, a humanidade está crescendo em número. Logo, não existe a reencarnação.
4. Respondem os espíritas que Deus estaria criando continuamente novos espíritos. Mas então, esse Deus criaria sempre novos espíritos em pecado, que precisariam sempre se reencarnar. Jamais cria ele espíritos perfeitos?
5. Se a reencarnação dos espíritos é um castigo para eles, o ter corpo seria um mal para o espírito humano. Ora, ter corpo é necessário para o homem, cuja alma só pode conhecer através do uso dos sentidos. Haveria então uma contradição na natureza humana, o que é um absurdo, porque Deus tudo fez com bondade e ordem.
6. Se a reencarnação fosse verdadeira, o nascer seria um mal, pois significaria cair num estado de punição, e todo nascimento deveria causar-nos tristeza Morrer, pelo contrário, significaria uma libertação, e deveria causar-nos alegria. Ora, todo nascimento de uma criança é causa de alegria, enquanto a morte causa-nos tristeza. Logo, a reencarnação não é verdadeira.
7. Vimos que se a reencarnação fosse verdadeira, todo nascimento seria causa de tristeza. Mas, se tal fosse certo, o casamento - causador de novos nascimentos e reencarnações – seria mau. Ora, isto é um absurdo. Logo, a reencarnação é falsa.
8. Caso a reencarnação fosse uma realidade, as pessoas nasceriam de determinado casal somente em função de seus pecados em vida anterior. Tivessem sido outros os seus pecados, outros teriam sido seus pais. Portanto, a relação de um filho com seus pais seria apenas uma casualidade, e não teria importância maior. No fundo, os filhos nada teria a ver com seus pais, o que é um absurdo.
9. A reencarnação causa uma destruição da caridade. Se uma pessoa nasce em certa situação de necessidade, doente, ou em situação social inferior ou nociva -- como escrava, por exemplo, ou pária – nada se deveria fazer para ajudá-la, porque propiciar-lhe qualquer auxílio seria, de fato, burlar a justiça divina que determinou que ela nascesse em tal situação como justo castigo de seus pecados numa vida anterior. É por isso que na Índia, país em que se crê normalmente na reencarnação, praticamente ninguém se preocupa em auxiliar os infelizes párias. A reencarnação destrói a caridade. Portanto, é falsa.
10. A reencarnação causaria uma tendência à imoralidade e não um incentivo à virtude. Com efeito, se sabemos que temos só uma vida e que, ao fim dela, seremos julgados por Deus, procuramos converter-nos antes da morte. Pelo contrário, se imaginamos que teremos milhares de vidas e reencarnações, então não nos veríamos impelidos à conversão imediata. Como um aluno que tivesse a possibilidade de fazer milhares de provas de recuperação, para ser promovido, pouco se importaria em perder uma prova - pois poderia facilmente recuperar essa perda em provas futuras - assim também, havendo milhares de reencarnações, o homem seria levado a desleixar seu aprimoramento moral, porque confiaria em recuperar-se no futuro. Diria alguém: "Esta vida atual, desta vez, quero aproveitá-la gozando à vontade. Em outra encarnação, recuperar-me-ei" . Portanto, a reencarnação impele mais à imoralidade do que à virtude.
11. Ademais, por que esforçar-se, combatendo vícios e defeitos, se a recuperação é praticamente fatal, ao final de um processo de reencarnações infindas?
12. Se assim fosse, então ninguém seria condenado a um inferno eterno, porque todos se salvariam ao cabo de um número infindável de reencarnações. Não haveria inferno. Se isso fosse assim, como se explicaria que Cristo Nosso Senhor afirmou que, no juízo final, Ele dirá aos maus: "Ide malditos para o fogo eterno"? (Mt. XXV, 41)
13. Se a reencarnação fosse verdadeira, o homem seria salvador de si mesmo, porque ele mesmo pagaria suficientemente suas faltas por meio de reencarnações sucessivas. Se fosse assim, Cristo não seria o Redentor do homem. O sacrifício do Calvário seria nulo e sem sentido. Cada um salvar-se-ia por si mesmo. O homem seria o redentor de si mesmo. Essa é uma tese fundamental da Gnose.
14. Em conseqüência, a Missa e todos os Sacramentos não teriam valor nenhum e seriam inúteis ou dispensáveis. O que é outro absurdo herético.
15. A doutrina da reencarnação conduz necessariamente à idéia gnóstica de que o homem é o redentor de si mesmo. Mas, se assim fosse, cairíamos num dilema:
1. Ou as ofensas feitas a Deus pelo homem não teriam gravidade infinita;
2. Ou o mérito do homem seria de si, infinito.
Que a ofensa do homem a Deus tenha gravidade infinita decorre da própria infinitude de Deus. Logo, dever-se-ia concluir que, se homem é redentor de si mesmo, pagando com seus próprios méritos as ofensas feitas por ele a Deus infinito, é porque seus méritos pessoais são infinitos. Ora, só Deus pode ter méritos infinitos. Logo, o homem seria divino. O que é uma conclusão gnóstica ou panteísta. De qualquer modo, absurda. Logo, a reencarnação é uma falsidade.
16. Se o homem fosse divino por sua natureza, como se explicaria ser ele capaz de pecado? A doutrina da reencarnação leva, então, à conclusão de que o mal moral provém da própria natureza divina. O que significa a aceitação do dualismo maniqueu e gnóstico. A reencarnação leva necessariamente à aceitação do dualismo metafísico, que é tese gnóstica que repugna à razão e é contra a Fé.
17. É essa tendência dualista e gnóstica que leva os espíritas, defensores da reencarnação, a considerarem que o mal é algo substancial e metafísico, e não apenas moral. O que, de novo, é tese da Gnose.
18. Se, reencarnando-se infinitamente, o homem tende à perfeição, não se compreende como, ao final desse processo, ele não se torne perfeito de modo absoluto, isto é, ele se torne Deus, já que ele tem em sua própria natureza essa capacidade de aperfeiçoamento infindo.
19. A doutrina da reencarnação, admitindo várias mortes sucessivas para o homem, contraria diretamente o que Deus ensinou na Sagrada Escritura.
Por exemplo, São Paulo escreveu:
"O homem só morre uma vez" (Heb. IX, 27).
Também no Livro de Jó está escrito:
"Assim o homem, quando dormir, não ressuscitará, até que o céu seja consumido, não despertará, nem se levantará de seu sono" (Jó, XIV,12).
20. Finalmente, a doutrina da reencarnação vai frontalmente contra o ensinamento de Cristo no Evangelho. Com efeito, ao ensinar a parábola do rico e do pobre Lázaro, Cristo Nosso Senhor disse que, quando ambos morreram, foram imediatamente julgados por Deus, sendo o mau rico mandado para o castigo eterno, e Lázaro mandado para o seio de Abraão, isto é, para o céu. (Cfr. Lucas XVI, 19-31)
E, nessa mesma parábola Cristo nega que possa alguma alma voltar para ensinar algo aos vivos.
Em adendo a tudo isto, embora sem que seja argumento contrário à reencarnação, convém recordar que na, Sagrada Escritura, Deus proíbe que se invoquem as almas dos mortos.
No Deuteronômio se lê: "Não se ache entre vós quem purifique seu filho ou sua filha, fazendo-os passar pelo fogo, nem quem consulte os advinhos ou observe sonhos ou agouros, nem quem use malefícios, nem quem seja encantador, nem quem consulte os pitões [os médiuns] ou advinhos, ou indague dos mortos a verdade. Porque o Senhor abomina todas estas coisas e por tais maldades exterminará estes povos à tua entrada" (Deut. XVIII-10-12).
15.1.09
Caro Diego,
Não exercemos censura, mas apelamos a algum critério da parte de quem aqui comenta. Copiar e colar textos anti-espíritas ao acaso, e vir pespegá-los aqui, não tem razão de ser.
As objecções que apresenta são respondidas em qualquer site espírita, incluindo este.
E sobretudo pela leitura das obras básicas do Espiritismo.
Só que o amigo não é minimamente interessado em aprender seja o que for acerca de Espiritismo. Esse texto que aqui colou é por demais conhecido e inúmeras vezes desmontado. Há quem estude Espiritismo apenas para produzir propaganda anti-esírita, como é o caso do autor desse texto.
Nós temos por princípio não invadir sites católicos, evangélicos, ateus, budistas ou outros, para trombetear as nossas ideias.
O texto que copiou e colou chama-se "Reencarnação - Argumentos católicos contra os fundamentos do espiritismo" e é da autoria de Orlando Fedeli, um conhecido radical católico, que, entre outras coisas, aprova a acção da Santa Inquisição, que queimou centenas de milhar de pessoas.
As posições de Fedeli são abertamente contra as orientações católicas e favoráveis e um catolicismo fundamentalista radical.
Os seus comentários serão sempre bem-vindos. A propaganda cega, não.
Cordialmente,
André
16.1.09
Bela resposta!
Não há muita paciência actualmente para este tipo de argumentação, mesmo para aqueles que gostam de tertúlias intelectuais. Chega de divisionismos e de competições para ver quem é o detentor da verdade.
A Humanidade quer consensos, independentemente das religiões, no encontro do caminho para um Mundo Melhor. Jesus não veio fundar uma Religião, mas convidar à Paz, à Fraternidade e ao Perdão.
Esse o convite do Espiritismo.
Joana
Enviar um comentário