Tal como a existência de Deus, a imortalidade da alma é um dos princípios que definem o Espiritismo como uma doutrina espiritualista e cristã.
As religiões cristãs não definem claramente o que é a imortalidade da alma, e tanto assim que não é raro encontrarmos pessoas que, sendo praticantes de religiões cristãs, declaram não saber se vida continua após a morte do corpo.
Para algumas religiões, é fora de dúvida que haverá o Dia do Juízo Final. Para essas religiões, um dia, os justos ressuscitarão, para viverem em paz. Os pecadores... não voltarão à vida!
É difícil de compaginar esta teoria com a doutrina do Céu, Inferno e Purgatório. Afinal, após a morte do corpo, as pessoas são enviadas para um desses três departamentos, ou manter-se-ão mortas até ao Dia do Juízo Final?
E o número de todos os justos que já viveram na Terra? Não será excessivo, em relação aos frecursos e espaço disponível no planeta?
E nesse paraíso terrestre, onde alegadamente "o lobo e o cordeiro comerão juntos", de que se alimentarão os animais carnívoros?
Haverá recursos suficientes para alimentar a população terrena? A esta será permitido reproduzir-se? Se sim, como haverá espaço para o número crescente de imortais?
E como será possível aos justos viverem felizes, sabendo que os seus entes queridos não ressuscitaram?
Algumas religiões cristãs alegam que os de maior mérito viverão em espírito no Céu, na Nova Jerusalém, ao lado de Deus; os de mérito um tanto inferior viverão em corpos materiais, na Terra. Os que não tiverem mérito, já se sabe, não ressuscitarão...
Como é então possível que Deus, sendo infinitamente justo e bom, condene sem remissão os menos bons ao Nada, ou, pior, a uma eternidade de sofrimentos inenarráveis, no Inferno?
É devido à falta de lógica destes pressupostos que todos os dias aumenta o número de ateus, a par com os progressos da Ciência e da inteligência humana, a quem já repugnam estes conceitos medievais.
Se se diz aos responsáveis das diferentes religiões que a vida continua em outro plano, para nós invisível e imaterial, e que as manifestações dos que viveram na Terra no-lo provam, logo essas hierarquias religiosas se abespinham e declaram, que tais manifestações só podem provir dos demónios. No entanto, desde a mais remota Antiguidade que as manifestações dos Espíritos são conhecidas, em todas as culturas.
Moisés chegou ao ponto de proibir o povo hebreu de consultar os mortos - prática por sua vez trazida do Egipto.
E o próprio Jesus de Nazaré, no alto do Monte Tabor, conversou com Moisés e com Elias, que haviam morrido séculos antes. É o conhecido episódio bíblico da Transfiguração.
Para o Espiritismo, a imortalidade da alma é facto comprovado pela História e pela experiência, de milhares e milhares de casos, dos mais diversos tipos de manifestações. Jesus de Nazaré pregou a continuidade da vida. Não falou do Dia do Juízo Final nem das torturas eternas do Inferno. Isso é produto da imaginação de alguns.
Na imagem: A transfiguração de Jesus, por na interpretação de Rafael (1483-1520).


2 comentários:
16.12.11
sendo assim.... para onde vao os espiritas ????
16.12.11
Olá amigo/a,
Os espíritas e os não espíritas, os habitantes da Terra e de todos os mundos espalhaos pelo Universo imenso, não "vão" para lugar algum em especial.
A existência é uma evolução contínua e infinita, e após cada 'vida' no mundo material sucede-se uma estada no plano espiritual e nova vinda ao mundo material.
Os Espíritos já suficientemente depurados só reencarnam excepcionalmente, e sempre em missão. Foi o caso de Jesus-Cristo, que impressionou de tal forma a Humanidade, que, sendo ele um homem como nós, ainda hoje é considerado como 1/3 de Deus por biliões de pessoas.
Jesus-Cristo desempenhou brilhantemente a sua missão na Terra. Foi para isso que cá veio e saiu-se como seria de esperar de um Espírito de escol, amadurecido por uma longa aprendizagem. Um dia todos seremos como ele.
O destino de todos nós no mundo espiritual não passa por paraísos particulares de perpétua contemplação, e ainda por cima com separações segundo a religião. As analogias terrenas fazem muita gente pensar o Além como um hotel eterno, com secções para católicos, protestantes, muçulmanos, budistas, etc..
Alguns (infelizmente) ainda crêem que na vizinhança desse hotel celeste há um bairro degradado, o chamado inferno, de onde os hóspedes do hotel de luxo podem confortavelmente contemplar a miséria dos condenados. O crime deste últimos? Por exemplo não terem "aceitado" a religião "certa", de entre as centenas de milhar que existem na Terra (imagine-se, se na Terra são tantas, quantas serão p'lo Universo fora...).
Na nossa opinião (e tudo isto é uma opinião, uma crença, ainda que baseada em factos positivos) o nosso único destino é a perfeição. Deus não tem religião.
Abraço amigo,
AA
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