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Espiritualismo e Espiritismo - Vida Futura


Sobre a vida futura:

Desde a Antiguidade que encontramos, em todos os povos, uma crença arreigada na vida futura. Os povos Antigos da Europa faziam depender a felicidade ou infelicidade futuras da conduta nesta vida. O Tártaro, era, para esses povos, o lugar baixo, o dédalo de cavernas onde os Espíritos dos culpados sofriam a sua punição.

As religiões cristãs exageraram largamente as punições do Tártaro e inventaram um Inferno de suplícios eternos para os condenados.
Já por diversas vezes temos referido e fundamentado que os Evangelhos não fazem referência ao Inferno criado pelas instituições religiosas. Jesus referiu-se ao Reino dos Céus, para exprimir o estado de bem-aventurança, e referiu-se às más consequências dos maus actos, usando diversas analogias, mas nunca falou no Inferno.
Distorcidos, mal traduzidos, alterados, os Evangelhos têm servido para justificar doutrinas tão ímpias como a do Inferno. Como se pode conceber que Deus, sendo infinitamente justo e bom, possa condenar os seus filhos sem remissão?

E aqueles que não sendo propriamente maus, também não foram bons na vida terrena? E as crianças que morrem em tenra idade? E os doentes mentais, que não são responsáveis pelos seus actos? Iriam para o Inferno de eternos suplícios ou para o Céu de perpétua monotonia? E os que viveram antes de Jesus e não puderam ser salvos pelo Baptismo? E os que nunca conheceram a religião "certa"?

A solução encontrada foi colocá-los num estado de ainda maior monotonia que o Céu: o Limbo. O Evangelho Apócrifo de Nicodemos refere que Jesus, após a sua ressurreição, desceu aos infernos (que significa lugares baixos, cavernas), para libertar os justos, os patriarcas do Antigo Testamento, e ainda Adão e Eva.
Vê-se que a preocupação com a salvação dos que vieram antes de Jesus é preocupação antiga. O Inferno pagão, revisto e piorado, foi assim também aumentado com o Limbo para os inocentes, e com o Purgatório para os menos maus...
Em nenhuma outra tradição religiosa do mundo, os sofrimentos dos maus foram descritos como sendo tão brutais, como nas religiões cristãs. Contudo, o que Jesus ensinou, foi que a sementeira é livre mas a colheita é obrigatória.

O Espiritismo, sendo uma doutrina filosófica espiritualista, e tendo Jesus de Nazaré como modelo e Guia, defende essa mesma ideia, mas junta-lhe as pesquisas dos cientistas que já se debruçaram sobre a imortalidade da alma, e o testemunho dos Espíritos, que vêm contar, na primeira pessoa, como é a vida futura.

Em "O Céu e o Inferno ou a Justiça Divina Segundo o Espiritismo", pessoas que viveram na Terra, dão o seu testemunho através de médiuns diversos, dizendo da sua felicidade ou infelicidade. Não se declaram entre nuvens repousando, nem no Inferno, no Purgatório ou no Limbo. Essas divisões são alegorias de uma realidade que é descrita pela maioria das religiões do mundo. Com o Espiritismo, confirma-se que por detrás das lendas está uma realidade: a da justiça divina.


Na imagem: fresco de Fra Angelico, Cristo no Limbo. c.1450.

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