
- O Espiritismo revê-se na afirmação de Voltaire (1694-1778), que declarava não acreditar no Deus que os homens fizeram, mas sim no Deus que fez os homens.
O Espiritismo não considera razoável que a Palavra de Deus possa estar toda contida, por exemplo, na Bíblia, e que essa importantíssima compilação de escritos seja, toda ela, reflexo da sabedoria divina. No Antigo Testamento, Moisés apresenta uma visão de Deus adaptada à época e às características de um povo que via Deus como um chefe militar, autoritário, implacável. Um Deus de amor não estava ainda ao alcance daquela gente. Lembremos o episódio em que Moisés sobe ao Monte Sinai para receber os Dez Mandamentos, e, quando regressa, depara com o famoso quadro da adoração do bezerro de ouro...
LIVRO PRIMEIRO
AS CAUSAS PRIMÁRIAS
CAPÍTULO I - DEUS
I DEUS E O INFINITO
1. O que é Deus?
-- Aquilo que não tem começo nem fim: o desconhecido; todo o desconhecido é infinito[6].
3. Poderíamos dizer que Deus é o infinito?
-- Definição incompleta. Pobreza da linguagem dos homens, insuficiente para definir as coisas que estão além da sua inteligência.
Deus é infinito nas suas perfeições, mas o infinito é uma abstracção; dizer que Deus é o infinito é tomar o atributo de uma coisa por ela mesma, definir uma coisa, ainda não conhecida, por outra que também não o é.
[5]As frases que se seguem às perguntas são as respostas dadas pelos Espíritos. Suprimimos as aspas nesta edição por considerá-las desnecessárias. As notas e explicações de Kardec, intercaladas no texto, são compostas em tipo especial, de maneira que não há possibilidade de confusão. (N. do T.)
[6]Os espíritos se referem ao Universo. Tudo quanto nele conhecermos tem começo e tem fim; tudo quanto não conhecemos se perde no infinito, no desconhecido. Aplicação da expressão francesa: passer du connu à l'inconnu. (N. do T.)
Esta é a concepção espírita de Deus. Causa primária do Universo, inteligência suprema. Jesus de Nazaré, nosso modelo moral, falava de um Deus infinitamente perfeito, justo e bom.
Para o Espiritismo, Deus é Espírito. Mas a concepção de Deus que ainda persiste, para muitos ateus e religiosos, é a da alegoria de Miguel Ângelo, no fresco da Capela Sistina - "A Criação de Adão" - que ilustra este texto. Um Deus antropomórfico, ou seja, um Deus com forma e características humanas.

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