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Palestras Espíritas



Muita gente descobre um centro espírita pela internet, por intermédio de um amigo, ou por ter visto um programa de tv sobre o assunto. Não raras vezes segue-se um período de "ganhar coragem". Não se sabe o que se vai encontrar. A ideia de se deparar com uma sala escura e um grupo de criaturas misteriosas à volta de uma mesa pé-de-galo não é das mais animadoras, convenhamos...

Uma vez transpostas as portas do centro, há uma sensação de alívio, pois as luzes estão acesas e as pessoas são normalíssimas. Os espíritas são pessoas como as outras, que se dedicam ao estudo e à prática do Espiritismo, gratuitamente. Têm as suas famílias, profissões, a sua vida social, as suas qualidades e os seus defeitos, como toda a gente.

O Espiritismo é cultura. Um centro espírita não é mais do que uma associação cultural, que difunde e pratica a cultura espírita. Numa associação que se dedica à Espeleologia pratica-se Espeleologia, fazem-se palestras e outras actividades sobre Espeleologia. Numa associação espírita o tema é, naturalmente, Espiritismo.

As palestras espíritas são geralmente a primeira actividade em que os recém-chegados participam. Os palestrantes costumam esclarecer que, apesar de se falar de flosofia e moral cristãs, não se está numa igreja, pois o Espiritismo não é uma religião, pois não tem rituais, sacramentos, sacerdotes nem dogmas inquestionáveis.

As palestras espíritas baseiam-se sempre nas obras básicas da doutrina espírita, as de Allan Kardec, escritas com base nos ensinamentos do Mundo Espiritual. As boas palestras espíritas dirigem-se sempre, em primeiro lugar, aos que nada sabem sobre o assunto. Seria falta de cortesia partir do princípio de que quem vem às palestras públicas já sabe o que é o Espiritismo, e falar-se numa linguagem e conceitos que se tornassem incompreensíveis para quem desconhece o assunto. Para os que já sabem alguma coisa de Espiritismo existem cursos, estudos avançados - e as palestras públicas não deixam de ter interesse.

As palestras espíritas costumem ter uma duração aproximada de 1 hora. Metade do tempo para aa exposição do assunto, e a outra metade para perguntas e respostas, num ambiente calmo e fraterno de troca de ideias. As palestras espíritas fazem lembrar as reuniões dos primeiros cristãos, que se reuniam para conversar acerca dos ensinamentos de Jesus de Nazaré, para repartir o pão e para impôr as mãos. Ou seja: conversavam e estudavam em conjunto, comiam em conjunto e praticavam o passe (que será tema para outra entrada).

Nas palestras espíritas há sempre pelo menos duas pessoas na mesa ou na tribuna. É um princípio espírita haver sempre mais que uma pessoa na condução de qualquer trabalho, para que se possam corrigir mutuamente, se for caso disso.

Nos centros espíritas não é costume aplaudir-se os palestrantes. O palestrante não é mais "importante" que qualquer pessoa presente na sala. A tarefa do palestrante é fazer a sua palestra. Não é mais importante que a tarefa de qualquer outra pessoa ali presente, a quem cabe contribuir para um bom ambiente, ouvir com sentido crítico, questionar se for caso disso, e, se possível, fazer bom uso dos conhecimentos veiculados.

Em palestras realizadas fora das associações espíritas é costume aplaudir-se, porque a quantidade de não-espíritas presentes costuma ser grande e prevalece o velho princípio: "em Roma, sê romano".

Na foto: Divaldo Franco, o palestrante espírita mais conhecido no mundo.

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