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Laços de Família


Ferreira Fernandes assina no Correio da Manhã uma pequena secção chamada Bilhete Postal. Este "bilhete", de 18 de Janeiro, tem por tema o caso da polémica decisão do tribunal de Torres Novas que está a agitar a opinião pública. Chama-se "Cega, está bem mas estúpida?!!":

"O pai biológico já fala de umas massas pelo incómodo psicológico. O pai adoptivo prefere ir para a prisão (seis anos!!!) do que dizer onde está a sua menina. A Justiça é cega – mas precisa de ser estúpida? O crime deste pai adoptivo é recusar arrancar a sua menina daqueles que ela sempre viu como pais. Quando pensa em incómodo psicológico, o pai adoptivo pensa no da sua filha.
E não faz comércio disso. Mas, diz-me a Justiça, ele não é um “pai adoptivo”, ainda não houve legalmente adopção. Está bem, falo só de pai. Pai: condição que muitos ganham na rifa do espermatozóide de uma noite e este PAI (o sargento Luís Gomes) conquista à custa da sua liberdade. Com a condenação é um criminoso. Que honra é para qualquer pessoa de bem apertar a mão a este criminoso!"

Embora não estejam bem claros todos os contornos deste caso, tudo indica que é mais um daqueles em que os tribunais decidem sob o princípio de que a família biológica tem sempre primazia. Uma "moda nova", baseada não se sabe bem em quê, mas que se tem revelado desastrosa.

O que diz a doutrina dos Espíritos, na sua aparente simplicidade, acerca dos laços familiares? Vejamos este excerto do Capítulo XIV d' O Evangelho Segundo o Espiritismo:

"Os laços do sangue não criam forçosamente os liames entre os Espíritos. O corpo procede do corpo, mas o Espírito não procede do Espírito, porquanto o Espírito já existia antes da formação do corpo. Não é o pai quem cria o Espírito de seu filho; ele mais não faz do que lhe fornecer o invólucro corpóreo, cumprindo-lhe, no entanto, auxiliar o desenvolvimento intelectual e moral do filho, para fazê-lo progredir.

Os que encarnam numa família, sobretudo como parentes próximos, são, as mais das vezes, Espíritos simpáticos, ligados por anteriores relações, que se expressam por uma afeição recíproca na vida terrena. Mas, também pode acontecer sejam completamente estranhos uns aos outros esses Espíritos, afastados entre si por antipatias igualmente anteriores, que se traduzem na Terra por um mútuo antagonismo, que aí lhes serve de provação. Não são os da consangüinidade os verdadeiros laços de família e sim os da simpatia e da comunhão de idéias, os quais prendem os Espíritos antes, durante e depois de suas encarnações. Segue-se que dois seres nascidos de pais diferentes podem ser mais irmãos pelo Espírito, do que se o fossem pelo sangue. Podem então atrair-se, buscar-se, sentir prazer quando juntos, ao passo que dois irmãos consanguíneos podem repelir-se, conforme se observa todos os dias: problema moral que só o Espiritismo podia resolver pela pluralidade das existências. (Cap. IV, nº 13.)

Há, pois, duas espécies de famílias: as famílias pelos laços espirituais e as famílias pelos laços corporais. Duráveis, as primeiras se fortalecem pela purificação e se perpetuam no mundo dos Espíritos, através das várias migrações da alma; as segundas, frágeis como a matéria, se extinguem com o tempo e muitas vezes se dissolvem moralmente, já na existência atual".


Por parte da população está a haver o entendimento de que prevalecem os laços espirituais. Os tribunais, contudo, continuam a privilegiar aos laços corporais. Porquê? Aqui está um debate que a Magistratura devia fazer, pois esta atitude continua a causar graves danos a milhares de crianças.

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1 comentários:

Anónimo

20.4.07

Eu não conheço esse caso específico, mas eu penso que se um espirito nasce em um lar onde as pessoas não tem afinidades, ou seja, tem questões para serem resolvidas, se eles forem separados quais as chances deles se reconciliarem? Aparentemente nós preferimos ficar com aqueles que nos fazem sentir bem que compartilham das mesmas ideias que nós, mas sabemos que temos nosso problemas para resolver e sabemos também que voltamos no lar para apararmos essas arestas e se formos separados perderemos essa oportunidade. Ao lado das pessoas que nos fazem felizes não temos mais nada para resolver já está tudo resolvido e é muito bom ficar ao lado delas mas temos que pensar que aquelas com quem não nos damos bem , com quem erramos, temos que nos acertar, vendo por este angulo a justiça está certa em deixa-los juntos, para que num futuro possamos todos juntos ascendermos para uma vida melhor.

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